Ebook · Segundo turno 2026
Manual da Virada
Como a campanha do presidente Lula pode vencer a extrema direita no 2º turno.
Cinco carrosséis, três frentes, um plano: descer do palanque, mostrar o que chegou na mesa e conversar todo dia.
Kit da militância
Exemplos prontos, página por página
Ao longo do manual, as faixas Na prática e Exemplo e as páginas com letra (4A, 8A…) trazem modelos de estrutura e de linguagem para usar em cada caso. Onde aparece [colchetes], a equipe preenche com dado, nome ou história verificados.
Antes de usar
- História real, com autorização. "História de gente real" só vale se a pessoa existe e aceitou aparecer. Nunca crie depoimento nem perfil falso: o próprio manual cobra "sem robô, sem perfil falso".
- Todo dado leva fonte. Antes de publicar, anote a fonte oficial e a data. Se não achar a fonte, não publique o número.
- Nomear quem lucra só com fato comprovado e público. Confirme o fato antes e, na dúvida, peça revisão jurídica da campanha.
Antes, o erro fatal
Soar como uma elite distante e técnica.
Explicar instituição não põe comida na mesa.
Quem tá com a conta atrasada não quer aula sobre democracia. Quer saber o que muda na vida dele a partir de segunda-feira. Esse é o erro que, segundo o post, a campanha do presidente Lula pode corrigir. Os três passos a seguir são a correção.
Na prática
Antes e depois da mesma mensagem
Antes (elite técnica): "Nosso programa fortalece as instituições e amplia o acesso a políticas públicas."
Depois (conta atrasada): "Se a conta apertou, é isso que muda na tua segunda-feira: [programa real], [o que a pessoa recebe ou deixa de pagar], [onde pedir]."
Teste de bolso, antes de postar qualquer peça
- Fala de instituição ou do que muda na vida de quem lê?
- Tem uma pessoa de verdade ou um lugar que o público reconhece?
- Cabe em uma linha que a pessoa repete no almoço?
Se falhar em duas, reescreva.
Roteiro curto de vídeo
"Conta atrasada? Eu sei como é. [Nome real], do [bairro], [o que mudou na vida dele(a)] por causa de [programa pelo nome]. Pra saber como pedir, chama no zap: [número da campanha]."
Fonte: F1, card 2/6
Parte 1 · Manual da Virada
Os 3 passos
- Desça do palanque. Ser do povo de verdade, não teatro de campanha. Ouvir a raiva do bairro todo dia e responder na língua de quem pega ônibus lotado. Menos discurso, mais escuta.
- Mostre o que chegou na mesa. Democracia se prova no prato. Salário que subiu, remédio que ficou de graça, dívida que foi renegociada. Menos gráfico, mais vida real. Vida digna é o argumento.
- Converse todo dia. Não só no horário eleitoral. Política é conversa diária, no zap, na calçada e na fila do posto. Quem só aparece em outubro vira propaganda. Pertencer, não convencer.
Quem só entende, esquece. Quem sente, vota.
Fonte: F1, cards 3/6 a 6/6
Kit da militância · página 4A
Os 3 passos na prática
Passo 1 · Desça do palanque: roda de escuta
Abordagem:
"Oi, sou da campanha. Não vim te dar discurso, vim ouvir. O que tá pesando no teu mês?"
- Três perguntas: O que mais pesou no teu mês? O que tu ouviu sobre o governo e não sabe se é verdade? O que mudaria a tua vida?
- Onde fazer: ponto de ônibus e fila do posto, além de porta de escola e feira.
- Registro: uma linha por conversa: bairro, tema, frase dita pela pessoa com as palavras dela. Sem identificar quem não autorizou.
- Devolutiva: volte ao tema que mais apareceu e responda na linguagem que a pessoa usou.
Passo 2 · Mostre o que chegou na mesa: card da mesa
Estrutura de quatro linhas:
- [Pessoa real, com autorização] em [bairro ou cidade].
- O que mudou: [salário, remédio ou dívida], com [valor ou situação verificados].
- Por causa de: [programa pelo nome].
- Como pedir: [onde, com que documento, contato].
Três séries de cards: "salário que subiu", "remédio que ficou de graça", "dívida que foi renegociada". Cada peça precisa de fonte oficial e data na legenda.
Passo 3 · Converse todo dia: rotina de zap
- Meta diária de cada militante: uma conversa, uma mensagem e uma história registrada.
- Regra ("quem só aparece em outubro vira propaganda"): a conversa começa antes do período eleitoral e continua depois, a primeira sem convite pra votar.
Mensagem modelo para grupo de bairro:
"Bom dia, pessoal. Um assunto só hoje: [tema]. Em uma linha: [fato verificado]. Fonte: [link]. Se tiver dúvida, responde aqui que eu busco."
Fala sem pedir voto:
"Nem tô aqui pedindo voto agora. Só queria saber se [serviço ou programa] chegou aí na tua casa."
Base: F1, cards 3/6 a 5/6
Parte 2 · Matriz de combate
Três frentes: eles fazem, nós respondemos
Frente 1 · Narrativa e informação
Enchem o feed de provocação e mentira pra que todo mundo só fale do que eles querem.
Não morder a isca. Não repostar a mentira nem pra desmentir. Seguir na nossa pauta, todo dia.
Vendem medo: do vizinho, do diferente, do futuro.
Vender caminho. Proposta concreta contada como história de gente real, com começo, meio e solução.
Vendem um salvador da pátria que resolve tudo sozinho.
O povo é o protagonista. Mostrar a vizinhança, o coletivo e a conquista que veio da organização.
Fonte: F2, card 2/5
Exemplo · Frente 1
Não morder a isca. Resposta de uma linha, sem repetir o boato:
"O assunto de hoje que querem pautar é outro. O que importa na tua casa é [pauta: comida no prato, emprego, salário ou remédio]: [fato verificado]. Fonte: [link]."
Vender caminho. História com começo, meio e solução:
- Começo: [pessoa real] enfrentava [problema concreto].
- Meio: [o que ela tentou ou esperou].
- Solução: [proposta ou programa pelo nome] e [como acessar].
O povo é o protagonista. Roteiro de vídeo com a vizinhança:
"Quem fez isso acontecer foi [associação ou coletivo real]. O que conquistaram: [fato verificado]. Se tu quer entrar, é só chamar: [contato]."
Frente 2 · Redes e algoritmo
Corte de 15 segundos com raiva e fora de contexto.
Corte de 15 segundos também. Com dado, humor e a fonte na tela. O formato curto não é deles.
Perfis em rede postando a mesma coisa ao mesmo tempo pra parecer multidão.
Rede de gente de verdade. Cada um compartilha com a própria voz. Sem robô, sem perfil falso.
Usam o grupo da família como canal de distribuição.
Estar no grupo também. Conteúdo leve e curto que dá vontade de encaminhar. Sem sermão.
Fonte: F2, card 3/5
Exemplo · Frente 2
Corte de 15 segundos também. Roteiro em quatro tempos:
- 0 a 3 s: pergunta que a pessoa se faz ("Por que [problema] ainda pesa no bolso?").
- 3 a 10 s: o dado com a fonte na tela: [dado verificado], [nome da fonte].
- 10 a 14 s: um toque de humor ou um rosto conhecido do bairro.
- Últimos segundos: uma ação simples ("manda pra quem precisa").
Rede de gente de verdade. Kit de quem posta com a própria voz:
- Três aberturas de legenda para adaptar: "Eu vi que...", "Na minha rua...", "Pergunta pra mim como foi...".
- Regra 1: nada de copiar e colar o mesmo texto de outra pessoa.
- Regra 2: não combinar horário igual de postagem para parecer multidão (é o que "eles fazem").
- Regra 3: quem é da campanha avisa que é da campanha.
Estar no grupo também. Mensagem curta, fácil de encaminhar:
"Prima, vi isso e lembrei de ti: [fato em uma linha]. Fonte: [link]. Encaminha se fizer sentido."
Quando alguém da família manda um boato, sem sermão:
"Fui atrás disso: [fato verificado]. Não precisa concordar comigo, só queria que tu visse a fonte. Beijo."
Frente 3 · Território e organização
Estão presentes no bairro o ano inteiro, não só na eleição.
Voltar pro território. Associação, cursinho popular, time de várzea, coletivo. Antes da eleição.
Pegam um problema real, como segurança ou emprego, e culpam um inimigo inventado.
Encarar o problema de frente. Com solução concreta e com o nome de quem lucra com ele.
Quando perdem, atacam a urna, a Justiça e a imprensa.
Mostrar o que a democracia entrega. SUS, escola pública, salário mínimo. Democracia que chega na mesa.
Exemplo · Frente 3
Voltar pro território. Plantão de dúvidas na associação de moradores, no cursinho popular ou no time de várzea, antes da eleição. Ficha da ação:
| Campo | Preencher |
|---|---|
| Ação | [plantão de dúvidas sobre programa X] |
| Onde | [associação, cursinho ou time real] |
| Quem conduz | [militante responsável] |
| Material | [folha com fonte e contato] |
| Registro | [o que as pessoas perguntaram] |
Encarar o problema de frente. Três frases:
- O problema: [problema real do bairro].
- A solução concreta: [proposta ou programa pelo nome].
- Quem lucra com o problema: [fato comprovado e público, com fonte]. Se não houver fonte, omita esta linha.
Mostrar o que a democracia entrega. Post ou vídeo curto em serviço público (SUS, escola pública), com permissão do local:
"Esta semana a democracia chegou na tua mesa assim: [serviço] em [local], [o que as pessoas receberam]. Fonte: [link]."
Não é gritar mais alto. É chegar mais perto.
Fonte: F2, cards 4/5 e 5/5
Parte 3 · Toolkit 01/15
Não morde a isca
Eles não querem convencer. Querem confundir.
A tática tem nome lá fora: "flood the zone". Inundar a rede com polêmica, boato e provocação até ninguém prestar atenção em nada. Enquanto a gente corre pra desmentir, a pauta deles já virou outra. Quem só reage, não pauta.
3 motivos pelos quais funciona
- Desmentido chega atrasado. Quando a checagem sai, a conversa já mudou de assunto.
- Repetir a provocação espalha ela, mesmo quando é pra criticar.
- Mensagem clara é mastro de barco. No meio da tempestade, é nela que a gente se segura.
Na campanha do Lula
Cada polêmica deles é deixa pra voltar à nossa pauta. Provocação do dia? A resposta cabe numa linha e termina no que interessa: comida no prato, emprego, salário, remédio. A pauta é a mesa do brasileiro, não o post deles.
Passo a passo
- Escolhe 3 mensagens-mastro e repete até cansar.
- Antes de responder, pergunta: tem escala? tem a ver com a nossa pauta? é a hora?
- Se for responder, expõe o método ("olha como eles fazem pra tu esquecer X"), não o boato.
- Troca o "isso é mentira" por história real de gente real.
Quem inventou a isca (EUA): a expressão é de Steve Bannon, estrategista de Trump. A ideia é soltar tanta coisa ao mesmo tempo que nenhum escândalo gruda e a oposição vive reagindo. Funciona porque o cérebro confunde repetição com verdade. Quem corre atrás do boato, perde a pauta.
Fonte: F3, cards 2/7 a 7/7 (Bannon: F6, vol. 1)
Kit da militância · página 8A
Mensagens-mastro e a ponte
Quadro de 3 mensagens-mastro (escolha 3 e repita até cansar). Cada uma tem uma linha e uma prova:
| Mensagem-mastro | Frase de uma linha | Prova |
|---|---|---|
| 1. Comida no prato | [frase curta sobre alimentação] | [dado oficial e fonte] |
| 2. Emprego e salário | [frase curta sobre trabalho e renda] | [dado oficial e fonte] |
| 3. Remédio e saúde | [frase curta sobre acesso a remédio] | [dado oficial e fonte] |
Os quatro temas (comida no prato, emprego, salário, remédio) vêm do card 5/7. A campanha escolhe quais três usar.
Ponte para o desmentido atrasado
"Desmentido chega atrasado." Em vez de só desmentir, use a ponte:
"[Boato do dia] não é o que decide a tua vida. O que decide é [mensagem-mastro]: [fato]. Fonte: [link]."
Nunca cite o boato por extenso na primeira linha: repetir espalha.
Base: F3, cards 2/7 a 5/7
Kit da militância · página 9A
Triagem e respostas
Triagem antes de responder (as três perguntas do card 4/7). Casos de treino para a equipe discutir:
| Caso | Tem escala? | Tem a ver com a nossa pauta? É a hora? | Decisão |
|---|---|---|---|
| Boato pequeno, de um grupo local | Não | Não | Não responder |
| Boato que viraliza e toca em emprego ou salário | Sim | Sim | Responder em uma linha, com a ponte |
| Provocação pessoal contra alguém | Sim | Não | Não repostar nem para criticar |
Expor o método, não o boato
"Olha como fazem pra tu esquecer [assunto que importa]: soltam [tema] no mesmo dia. Voltando ao que interessa: [mensagem-mastro]."
Respostas de uma linha que terminam no que interessa
- Comida no prato: "[Fato verificado sobre alimentação]. Fonte: [link]."
- Emprego: "[Fato verificado sobre emprego]. Fonte: [link]."
- Salário: "[Fato verificado sobre salário]. Fonte: [link]."
- Remédio: "[Fato verificado sobre remédio]. Fonte: [link]."
Trocar "isso é mentira" por história real
"[Nome real, com autorização] contou que [o que aconteceu de fato na vida dele(a)]. É isso que a gente defende."
Dinâmica de reunião (20 minutos): use a pergunta "Qual boato tu já viu a esquerda espalhar sem querer?". Cada pessoa cita um caso, o grupo diz se era isca e combina a regra da equipe: não repostar nem para desmentir.
Base: F3, cards 4/7 a 7/7
Parte 4 · Toolkit 03/15 · Comunicação digital
Feijão no arroz
Como levar política pra quem não quer saber de política.
O arroz é o que a galera já consome. O feijão é a política. Quem a campanha precisa conquistar não segue perfil de político: tá vendo gol, reality, fofoca, receita, treino. A jogada é misturar a mensagem, em doses pequenas, no conteúdo que essas pessoas já amam. Na medida certa, sem afogar o arroz.
3 motivos pelos quais funciona
- Fala com quem ainda não tá do nosso lado, não com quem já concorda.
- Chega por um canal que a pessoa confia, sem cara de propaganda.
- Sai mais barato que anúncio e dura mais.
Passo a passo
- Mapeia onde tá o indeciso: futebol, pagode, gospel, games, beleza, app de entrega.
- Faz parceria com páginas e perfis que já têm esse público.
- Mistura de vez em quando: vários posts de arroz, uma concha de feijão.
- O feijão leva o tempero da casa: política na língua daquela comunidade.
Na campanha do Lula
Menos live de palanque. Mais política no meio do gol. Na página de futebol, a história do atleta que saiu da quebrada por causa de um programa público. No perfil de beleza, a manicure que virou MEI. A política entra pela porta do dia a dia: o indeciso não tá no nosso feed, a gente vai até o dele.
Quem já fez (EUA): a cesta do LeBron. Fã de basquete quer ver jogada do LeBron James: esse é o arroz. Um post de vez em quando sobre a luta dele contra o racismo é o feijão. Lá fora chamam de "brócolis no arroz". Aqui, é feijão. Ninguém almoça só feijão, mas arroz sem feijão não é prato.
Fonte: F4, cards 1/7 a 7/7 (LeBron: F6, vol. 2)
Kit da militância · página 10A
Mapa do indeciso e calendário
Mapa do indeciso. Uma linha por território:
| Território | Perfil ou página parceira | O arroz (o que já consomem) | O feijão (a política) |
|---|---|---|---|
| Futebol | [página real] | [tipo de conteúdo] | [história real ligada a programa público] |
| Pagode | [perfil real] | [tipo de conteúdo] | [história ou pauta] |
| Gospel | [perfil real] | [tipo de conteúdo] | [história ou pauta] |
| Games | [perfil real] | [tipo de conteúdo] | [história ou pauta] |
| Beleza | [perfil real] | [tipo de conteúdo] | [história ou pauta] |
| App de entrega | [grupo ou perfil real] | [tipo de conteúdo] | [história ou pauta] |
Calendário de uma semana
"Vários posts de arroz, uma concha de feijão." Exemplo de organização; o ajuste é da equipe:
- Segunda a sábado: posts de arroz (o que a página já faz).
- Um dia da semana: o feijão, curto, na linguagem da comunidade.
- Domingo: olhar o que funcionou e anotar para a semana seguinte.
Base: F4, cards 2/7 a 4/7
Kit da militância · página 11A
Tempero da casa, parceria e o LeBron local
Tempero da casa por comunidade: política na língua daquela comunidade, sempre com história real.
- Futebol: o atleta que saiu da quebrada por causa de um programa público. Modelo: "[Atleta real] saiu de [lugar] por causa de [programa]. [Foto ou vídeo autorizados]."
- Beleza: a manicure que virou MEI. Modelo: "[Nome real] abriu o próprio negócio como MEI. Como ela fez: [passo a passo verificado]."
- Pagode, gospel, games, app de entrega: o mesmo molde. Uma pessoa real daquela comunidade, o que mudou na vida dela e o nome do programa: [história real em cada território].
Mensagem para a página parceira
"Oi, [nome]. Gostamos muito do que vocês fazem sobre [tema da página]. Queremos conversar sobre uma parceria em que a mensagem fica do jeito de vocês, na linguagem do público de vocês. Pode ser uma conversa curta esta semana?"
O LeBron local. Exercício de reunião: para cada página parceira, pergunte "qual é o arroz dela e qual seria o nosso feijão?".
Atenção: "Na medida certa, sem afogar o arroz." Se o feijão aparece em todo post, volte ao calendário.
Base: F4, cards 2/7, 4/7 a 6/7
Parte 5 · Toolkit 04/15 · Comunicação digital
Mil vozes pequenas valem mais que uma gigante
Não é contratar famoso. É montar uma orquestra.
Uma rede de criadores, cada um com seu instrumento, tocando a mesma música. Quando a causa pega de verdade, o influenciador deixa de ser divulgador e vira organizador: chama outros criadores e mobiliza a própria comunidade. Da divulgação à organização.
3 motivos pelos quais funciona
- Influenciador é voz de confiança. Humaniza o que a campanha oficial não consegue dizer.
- Quando quem a gente segue fala de política, participar parece normal.
- Ouvir a mesma ideia de várias vozes que a gente gosta faz ela parecer verdade de todo mundo.
Na campanha do Lula
Cada criador fala com o seu povo, do seu jeito. Um grupo só de criadores de nicho (games, fé, periferia, agro, maternidade), um ou dois temas por dia, sem jornalista nem político no grupo. A campanha manda o porquê; eles inventam o como. O segredo é confiança, não cachê.
Passo a passo
- Mapeia criadores com valores parecidos e público difícil de alcançar.
- Prefere muitos pequenos: são mais próximos e mais confiáveis pros seguidores.
- Manda briefing com mensagem, argumento e dado. Nunca texto pronto.
- Dá liberdade criativa e cuida da relação: grupo próprio, acesso, reconhecimento.
Quem já fez: França, 2024. Nas legislativas, mais de 400 criadores se organizaram por WhatsApp, um chamando o outro, e fizeram mais de 200 conteúdos, como a campanha "Queridos pais". Segundo o post, a extrema direita terminou em 3º lugar, e o toolkit fala em mais de 50 milhões de pessoas alcançadas. Famoso grita uma vez. Rede fala todo dia.
Atenção à lei eleitoral: a rede tem de ser voluntária. Pagar influenciador para publicar propaganda eleitoral é proibido (Lei 9.504/97, art. 57-C), assim como usar perfis falsos ou robôs.
Fonte: F5, cards 1/7 a 7/7 (F6, vol. 2)
Kit da militância · página 12A
Ficha do criador e convites
Ficha do criador (valores parecidos, público difícil de alcançar, preferir muitos pequenos). Uma ficha por criador:
| Campo | Preencher |
|---|---|
| Nome e perfil | [criador real] |
| Nicho | [games, fé, periferia, agro, maternidade ou outro] |
| Público que alcança | [descrição, sem inventar número] |
| Valores em comum com a causa | [o que já disse ou fez] |
| Quem da campanha cuida da relação | [militante responsável] |
Convite para criador pequeno
"Oi, [nome]. Acompanho o teu trabalho sobre [nicho] e gosto muito de como tu fala com [público]. Estamos montando um grupo de criadores que se ajudam a falar de [tema] do jeito de cada um, sem texto pronto. Posso te explicar em uma conversa rápida?"
Mensagem para chamar um colega
"Você conhece alguém que fala com um público diferente do meu e que toparia entrar nesse grupo? Pode apresentar a gente?"
Base: F5, cards 2/7, 3/7 e 5/7
Kit da militância · página 13A
Briefing, rotina e carta
Briefing (mensagem, argumento e dado, nunca texto pronto):
- Mensagem: [uma frase com o porquê do dia].
- Argumento: [duas ou três frases que explicam o porquê].
- Dado: [dado verificado] e fonte: [link].
- Liberdade: "O como é teu. Conta do teu jeito."
Mensagem diária do grupo
"Tema de hoje: [tema]. O porquê: [uma frase]. Um dado se quiser usar: [dado e fonte]. O como é de vocês. Se precisar de alguma informação, é só chamar."
Cuidar da relação:
- Grupo próprio: um espaço só dos criadores, com um interlocutor fixo da campanha.
- Acesso: [quem da campanha cada criador pode procurar] e em quanto tempo ele costuma responder.
- Reconhecimento: agradecer em público quando o criador quiser, e mostrar o que o conteúdo dele gerou, com dado verificado.
Carta "Querido pai, querida mãe"
Inspirada na campanha "Queridos pais". Roteiro de vídeo curto para criadores jovens, com a história deles:
"Querido pai, querida mãe. Eu queria conversar com vocês sobre a eleição, mas sem brigar. O que mais me preocupa é [tema que o criador sente na própria vida]. Posso contar o que eu descobri sobre [assunto], com a fonte, e vocês me contam o que acham?"
Base: F5, cards 2/7, 5/7 e 6/7
Resumo prático
Checklist de campanha
- Descer do palanque: ouvir a raiva do bairro todo dia e responder na língua de quem pega ônibus lotado. F1
- Mostrar o que chegou na mesa: salário que subiu, remédio de graça, dívida renegociada. Menos gráfico, mais vida real. F1
- Conversar todo dia, no zap, na calçada e na fila do posto, não só no horário eleitoral. F1
- Voltar pro território antes da eleição: associação, cursinho popular, time de várzea, coletivo. F2
- Estar nos grupos de família com conteúdo leve e curto, que dá vontade de encaminhar. Sem sermão. F2
- Não repostar a mentira nem pra desmentir. Escolher 3 mensagens-mastro e repetir até cansar. F2 F3
- Antes de responder uma provocação, perguntar: tem escala? tem a ver com a nossa pauta? é a hora? F3
- Terminar a resposta no que interessa: comida no prato, emprego, salário, remédio. F3
- Mapear onde tá o indeciso (futebol, pagode, gospel, games, beleza, app de entrega) e fazer parceria com quem já tem esse público. F4
- Misturar política no conteúdo que o público já ama: vários posts de arroz, uma concha de feijão. F4
- Montar a rede de criadores: muitos pequenos, briefing com mensagem, argumento e dado, nunca texto pronto. F5
- Dar liberdade criativa e cuidar da relação com os criadores: grupo próprio, acesso, reconhecimento. F5
Anexo · Rotina de 7 dias para uma equipe de bairro
Organiza os itens do checklist em uma semana. É uma sugestão de ordem; a equipe ajusta.
| Dia | Ação | Item do checklist |
|---|---|---|
| Segunda | Escolher 3 mensagens-mastro e preencher o quadro da página 8A | Não repostar a mentira, 3 mensagens-mastro (F2, F3) |
| Terça | Roda de escuta em ponto de ônibus ou fila do posto | Descer do palanque (F1) |
| Quarta | Gravar uma história real para o card da mesa | Mostrar o que chegou na mesa (F1) |
| Quinta | Plantão de dúvidas no território e mensagem em grupo de família | Voltar pro território, estar no grupo (F2) |
| Sexta | Contato com uma página parceira e um criador pequeno | Mapear o indeciso, rede de criadores (F4, F5) |
| Sábado | Postar o feijão da semana, na linguagem da comunidade | Misturar política no conteúdo que já amam (F4) |
| Domingo | Reunião de 20 minutos: o que funcionou, qual boato foi isca | Triagem das três perguntas (F3) |
Pra fechar
Quem sente, vota.
As três perguntas que os posts deixam para o público, como convite para levar à equipe:
- Não morde a isca · F3Qual boato tu já viu a esquerda espalhar sem querer?
- Feijão no arroz · F4Em qual "arroz" tu colocaria política?
- Mil vozes · F5Qual criador tu queria ver nessa rede?
Os posts também pedem: "Manda pra quem tá na campanha" (F1) e "Salva e manda pra quem tá no front" (F2).
Anexo · Dinâmicas de reunião e legendas
As três perguntas finais viram dinâmicas de 15 a 20 minutos:
- "Qual boato tu já viu a esquerda espalhar sem querer?" Cada pessoa conta um caso. O grupo combina: não repostar nem para desmentir.
- "Em qual 'arroz' tu colocaria política?" Cada pessoa escolhe um território do mapa da página 10A e diz qual feijão cabe nele.
- "Qual criador tu queria ver nessa rede?" Cada pessoa indica um criador e preenche a ficha da página 12A.
Legendas para stories e posts de engajamento:
"Qual boato você já viu circular e não sabia se era verdade? Conta aqui, a gente busca a fonte."
"Em qual conteúdo você já vive no dia a dia (futebol, receita, game, treino) que merecia uma conversa sobre o que muda na sua vida?"
"Qual criador você queria ver falando sobre isso do jeito dele?"
Antes de publicar qualquer peça:
- A história é de uma pessoa real que autorizou?
- O dado tem fonte oficial e data na legenda?
- Alguém revisou o que cita pessoa, empresa ou acusa alguém?
- A peça termina no que interessa (comida, emprego, salário, remédio) e não no post deles?
Referências
Fontes completas
Todo o conteúdo vem de carrosséis do perfil @0socialistadeiphone no Instagram.
- F1
- 3 passos pra esquerda vencer a extrema direita no 2º turno (Manual da Virada). 6 cards.
- F2
- Matriz de combate à extrema direita (Manual de campo, 3 frentes). 5 cards.
- F3
- Não morde a isca (Toolkit 01/15, Vol. 1: O manual deles). 7 cards.
- F4
- Feijão no arroz (Toolkit 03/15, Vol. 2: Comunicação digital). 7 cards.
- F5
- Mil vozes pequenas valem mais que uma gigante (Toolkit 04/15, Vol. 2). 7 cards.
- F6
- Anti-Authoritarian Toolkit (D-Hub, 2026), vols. 1 a 4, citado nos cards de F3, F4 e F5. Não consultado diretamente.
Avisos de leitura. Material de campanha, com um só ponto de vista: o que se diz da extrema direita são as caracterizações dos posts. Os dados da França 2024 ("3º lugar", "mais de 400 criadores", "mais de 200 conteúdos", "50 mi+ de pessoas alcançadas") vêm dos posts e do toolkit; confira no original antes de citar em público. Frases e números aparecem como nos cards, só reorganizados.